aperturaApertura (Guadalajara, Jal.)Apert. (Guadalaj.,
Jal.)1665-61802007-1094Universidad de Guadalajara, Sistema de Universidad
Virtual10.32870/Ap.v9n2.1026Artículos de investigaciónUm canal aberto no ensino superior? MOOC e REA no mundo
digital¿Un canal abierto en la educación superior? MOOC y REA en el mundo
digitalAn open channel in higher education? MOOC and OER in the digital
worldMallmannElena Maria*NobreAna Maria Ferreira** Doutora em Educação. Professora Adjunta.
Universidade Federal de Santa Maria, RS, Brasil.Universidade Federal de Santa
MariaUniversidade Federal de Santa
MariaRSBrazil Doctorat em Didactologie des Langues et des
Cultures. Investigadora Le@d, Universidade Aberta de Portugal.Universidade AbertaUniversidade AbertaPortugalLe@d30092017102017922441150320170205201730092017Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative
CommonsRESUMO:
A inovação pedagógica mediada por tecnologias em redes no mundo digital é um
desafio contemporâneo no ensino superior. Por isso, o objetivo é apresentar uma
reflexão sobre a contribuição e organização didática dos Recursos Educacionais
Abertos (REA) e Massive Open Online Courses (MOOC) na formação
universitária mediada por tecnologias educacionais no século XXI. Parametrizados
pelos procedimentos qualitativos típicos do estudo de caso, analisamos dados de
dois MOOC internacionais que versavam sobre REA. Como resultados da participação
ativa nos cursos, foram registrados planos de cursos, materiais didáticos,
metodologia de avaliação, atividades de aprendizagem, interação entre
participantes e partilha online. Evidenciaram-se elementos didáticos
diversificados nos MOOC com ênfase em vídeos e variação entre carga horária,
tipo e número de atividades semanais. Embora REA e MOOC já sejam possibilidades
concretas para formação universitária online no mundo digital, inclusive, com
grande demanda internacional, é necessário investir em políticas institucionais
para consolidar a educação aberta.
RESUMEN:
La innovación pedagógica mediada por tecnologías en redes en el mundo digital es
un reto contemporáneo en la enseñanza superior. Por eso, el objetivo es
presentar una reflexión sobre la contribución y la organización didáctica de los
recursos educativos abiertos (REA) y los massive open online
courses (MOOC) en la formación universitaria mediada por
tecnologías educativas en el siglo XXI. Parametrizados por los procedimientos
cualitativos estándar del estudio de caso, analizamos los datos de dos MOOC
internacionales que se centraron en los REA. Los resultados de la participación
activa en los cursos se manifestaron en los planes de cursos, los materiales
didácticos, la metodología de evaluación, las actividades de aprendizaje, la
interacción de los participantes y el compartir en línea. Elementos didácticos
diversificados se hicieron evidentes en los MOOC, entre los cuales destacan, los
videos y la variación entre horas previstas, el tipo y el número de actividades
semanales. Aunque los REA y los MOOC ya sean posibilidades concretas para la
formación universitaria en línea, incluso con gran demanda internacional, sigue
siendo necesario invertir en políticas institucionales para consolidar la
educación abierta.
ABSTRACT:
Pedagogical innovation mediated by educational technology in the digital world is
one of the contemporary challenges in higher education. Therefore, the aim is to
present a reflexion about the contribution and didactic organization of Open
Educational Resources (OER) and Massive Open Online Courses (MOOC).
Parameterized by procedures of the case study, we analyze the data from two
international MOOC that focused on the theme OER. As a result of active
participation in the courses, we registered the course plans, teaching
materials, assessment methodology, learning activities and the interaction
between participants and sharing online. It revealed a diversified didactic
elements in MOOC with an emphasis on video and variation between working hours,
type and number of weekly activities. Although OER and MOOC already are concrete
possibilities for online university education in the digital world, with great
demand, it is necessary to invest in institutional policies to consolidate the
open education.
Aintegração de tecnologias de informação e comunicação no ensino tem sido o palco de
atividades de investigação e desenvolvimento global. A rápida expansão da Internet
criou esta condição para superar a distância geográfica entre atores e levou os
estudantes de hoje, independentemente de tempo e lugar, a terem acesso ao ensino
universitário.
As tecnologias de informação e comunicação permitem tanto o acesso quanto à
reutilização de materiais de ensino-aprendizagem. Embora, seja ampla a
disponibilidade e distribuição de informação na contemporaneidade, participar da
sociedade do conhecimento tem exigido cada vez mais a participação ativa na produção
de conteúdo e publicação online. A pesquisa em torno do ensino e da
aprendizagem online (e-learning) é um campo vasto
que se estende desde a análise de materiais até a complexidade psicológica,
sociológica e cultural das interações requeridas. Nesse cenário, a prioridade
analítica, nesse artigo, tem como foco as potencialidades e desafios
didático-pedagógicos de tendências atuais dos movimentos Recursos Educacionais
Abertos (REA) e oferta de cursos em plataformas online como os
Massive Open Online Courses (MOOC). O questionamento central
para a reflexão gira em torno do princípio da abertura e as possibilidades de
inovação pedagógica. Estão as universidades contribuindo para a flexibilização do
acesso e permanência no ensino superior? São os REA e os MOOC os caminhos para a
sustentabilidade do ensino universitário mediado por tecnologias em rede? Para
inovar é suficiente mudar as ferramentas? Não seria necessário e urgente amplificar
a discussão em torno de concepções pedagógicas e valores políticos envolvidos?
Iniciamos a reflexão a respeito dos principais atores e elementos envolvidos na
história do ensino universitário mediado por tecnologias em sistemas de comunicação
a distância. Ainda que nas primeiras experiências da educação mediada por
tecnologias, os modelos adotados não tivessem a abertura e flexibilidade do livre
acesso e modificação como prioridades, é necessário compreender os percursos
históricos para estabelecer parâmetros teórico-práticos em torno das grandes
questões do debate educacional contemporâneo.
Sinalizamos aspectos históricos destacando os principais atores e agentes dos MOOC.
Na continuidade, enfatizamos a análise sobre resultados de pesquisa com foco
específico em MOOC. Esse formato de cursos online é tendência atual e parece atrair
milhões de aprendentes/participantes em todo o mundo com plataformas e versões de
conteúdos oferecidas em diferentes países, instituições e línguas. Desse modo, são
experiências educacionais em movimento que solicitam trabalho de investigação e
análise para uma adequada compreensão das especificidades formativas do nosso tempo.
Assim, é possível projetar políticas e ações futuras.
Como foco investigativo educacional na tipologia metodológica do estudo de caso,
analisamos resultados oriundos de pesquisas survey realizadas a
partir de dados produzidos em MOOC oferecidos por instituições de reconhecimento
internacional como o Massachusetts Institute of Technology (MIT) e Harvard
University. Além disso, problematizamos a organização didático-metodológica dos MOOC
sob a luz dos princípios da educação aberta espelhada nos fundamentos do movimento
internacional dos Recursos Educacionais Abertos (REA). Destacamos exemplares de
conteúdos e atividades oriundos de dois MOOC sobre REA dos quais participamos como
intérpretes-aprendentes durante 2014 e 2015. Nas conclusões, sinalizamos reflexões a
respeito dos contributos dos REA e MOOC na formação superior contemporânea mediada
por tecnologias em rede livres e abertas.
DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA PARA EDUCAÇÃO ABERTA
Em 1873, uma associação para mulheres na região de Boston, Estados Unidos,
implementou a educação em casa, que reuniu, ao longo dos anos, alguns 10.000
participantes (Ticknor, 1891). Esta forma de
educação de adultos usava documentos enviados por correio como meio de comunicação
entre os estudantes e o docente. A primeira universidade por correspondência foi o
Chautauqua College of Liberal Arts do Estado de Nova York. Esta instituição foi
autorizada pelo Estado a entregar diplomas aos estudantes que completavam os seus
estudos, presencialmente durante os cursos de verão ou por correspondência nos
outros trimestres (Watkins, 1991). No início
do século XX, já existiam mais de 4 milhões de americanos inscritos em cursos por
correspondência (Kett, 1994). No entanto,
apesar da popularidade dos cursos por correspondência, muitos se questionavam sobre
o seu valor educativo real à semelhança do que ocorre hoje com os Massive
Open Online Courses (MOOC).
De fato, em 1933, mais de 50 anos após o estabelecimento formal da primeira
universidade por correspondência, a Universidade de Chicago só permitia a criação de
cursos na modalidade de ensino a distância a título experimental (Gerrity, 1976). No século XXI, este ceticismo
ainda persiste porque os modelos educacionais na sua grande maioria são centrados na
transmissão-recepção verbal de conteúdos. Para muitos, o professor é o detentor dos
conhecimentos que são comunicados aos estudantes em salas de aula durante quatro ou
cinco horas associadas a sistemas de avaliação competitivos e meritocráticos.
Entre as décadas de 1960 e 1970, a educação a distância começou a ser reconhecida.
Zigerell (1984) observou que a Open
University da Inglaterra desempenhou um papel importante neste reconhecimento
revelando as vantagens da educação a distância em relação ao ensino universitário
tradicional. Foi também neste período que no Canadá foram criadas duas universidades
de ensino a distância: a Universidade de Athabasca (1970) e a Télé-université
(1972). Em 1988, a Universidade Aberta (UAb) foi criada em Portugal como instituição
de ensino superior pública com foco na educação a distância. A partir de 2008, a UAb
atualizou o seu Modelo Pedagógico, sendo a única universidade pública em Portugal
que oferece todos os seus cursos graduados e não graduados (Licenciaturas,
Mestrados, Doutoramentos e Aprendizagem ao Longo da Vida) em regime de
e-learning (Pereira et
al., 2008).
No Brasil, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) publicada em 1996
(Brasil, 1996) deu um passo importante
para os avanços na educação mediada por tecnologias em rede alicerçada, em grande
medida, na práxis oriunda da educação a distância. Em 2005, o Decreto 5.622 (Brasil, 2005) regulamentou o Artigo 80 da LDB
imprimindo orientações mais detalhadas sobre a qualificação das instituições em todo
o país. Também foram estabelecidos parâmetros pedagógicos, tanto para a elaboração
de recursos didáticos quanto para a oferta e acompanhamento dos cursos. A criação do
sistema Universidade Aberta do Brasil em 2006 tem desenvolvido, nos últimos 10 anos,
investimentos até então nunca vistos na expansão e democratização do ensino superior
público.
As primeiras gerações de cursos a distância eram baseadas em materiais impressos,
correspondência, rádio e televisão. As últimas décadas evidenciam um contexto
sociocultural e econômico cada vez mais marcado pela digitalização. Mesmo que os
avanços tenham sido notórios também na área educacional, percebemos que os desafios
ainda são muitos. O surgimento da Internet e a disseminação dos computadores de uso
pessoal redimensionou a oferta de cursos e os modos de comunicação entre professores
e estudantes. Mesmo assim, durante várias décadas, realizar um curso a distância
implicava processos seletivos específicos, vínculo institucional, pagamento de taxas
para acesso aos conteúdos e realização de exames finais.
Atualmente, com o movimento internacional da educação aberta, diferentes modelos de
cursos e organização didática de conteúdos online estão surgindo.
Aspectos do empreendedorismo, da criatividade tecnológico-pedagógica mas,
principalmente, o espírito de uma partilha universal do conhecimento tem sustentado
experiências inovadoras como os MOOC e os Recursos Educacionais Abertos (REA). Se na
época da criação dos primeiros cursos a distância ainda estávamos longe de acesso
livre e globalizado, cabe hoje refletir se os REA e MOOC são exemplos bem sucedidos
de educação livre e aberta.
Os impactos de um curso MOOC são múltiplos e suas consequências afetam tanto os
estudantes como os professores e o sistema educativo. Estes cursos
online muitas vezes são subscritos por dezenas de milhares de
estudantes. Isso é um imenso desafio para os professores e para os gestores das
instituições. Não significa que todas as pessoas que acessam os conteúdos, de fato,
participem efetivamente das atividades e obtenham certificação. Mesmo assim, os
sistemas de armanezamento e bancos de dados precisam de ser robustos para manter a
organicidade, bem como a reputação de qualidade.
Para além do acesso à informação na Internet, há que se debater sobre os reais
impactos na vida pessoal e profissional das pessoas que realizam cursos abertos,
produzem conteúdos e os partilham online (Karsenti,
2002; Karsenti, Lepage, Gervais,
2002). Os dados estatísticos mostram o aumentono que se refere ao número
de acessos e de inscritos em cursos abertos online. Por isso, nesse cenário, as
práticas educacionais já decorridas e aquelas em andamento precisam ser investigadas
desde já para que se possa ter avaliações diagnósticas cada vez mais rigorosas e
fidedignas. O campo investigativo se justifica especialmente por estar atrelado às
demais atividades formativas que as universidades desenvolvem. Os reais impactos do
recente movimento da educação aberta podem ser analisadas desde o ponto de vista da
gestão, políticas públicas, currículos, econômicas, culturais, dentre outras. Nossa
problematização curva o inquérito para as implicações do trabalho docente sob a
égide dos princípios da organização didático-metodológica de materiais didáticos,
tempo didático e tempo de aprendizagem.
PRINCÍPIOS INVESTIGATIVOS QUALITATIVOS COM FOCO NO ESTUDO DE CASO SOBRE REA E
MOOC
No que concerne à metodologia, os fenómenos socio-tecnológicos criaram muitos
desafios para a investigação em educação. Acerca dos paradigmas da pós-modernidade e
em relação com a educação como objeto de investigação, Amado (2013) refere: "[...] o pensamento crítico e
pós-moderno acentua a relatividade do pensamento (em função da linguagem, do status
cultural e social, da cultura, etcetera), tornando-se impossível o sonho de
Descartes que preconizava a elaboração de um método seguro e infalível para alcançar
a verdade [sendo esta] intersubjetiva, não resultando, portanto, de um sujeito
'controlador' (o cogito de Descartes), mas de uma reunião de pontos de vista".
E Coutinho (2015) alega: "o que deve
determinar a opção metodológica do investigador não será a adesão a uma ou outra
metodologia […] mas o problema a analisar".
Tendo em mente a caracterização da metodologia, a presente investigação enquadra-se
num paradigma qualitativo do estudo de caso "que descreve os fenómenos por
palavras em vez de números ou medidas" (Wiersma, 1995
apudCoutinho, 2015),
sendo que, [neste plano de investigação] "o enfoque reside no objetivo, [em que
se] podem considerar os métodos ou planos descritivos" (Coutinho, 2015). Nessa medida, destacamos a análise sobre
resultados de pesquisa que implementam as etapas da metodologia. Optamos por dois
conjuntos de categorias, um para cada exemplo, como forma de detetar tendências, que
pudessem ser interpretadas (Coutinho, 2015;
Bardin, 2015; Krippendorff, 2004).
ATORES, AGENTES, PLATAFORMAS E RECURSOS PARA EXPANSÃO DA EDUCAÇÃO ABERTA
Muitos acreditam que a iniciativa irlandesa ALISON (Advance Learning
Interactive Systems Online), que criou cursos online para o
desenvolvimento de competências profissionais completamente gratuitos relacionados
com o mercado de trabalho, é realmente a causa do nascimento dos MOOC (Booker, 2013).
Possivelmente, os maiores atores/agentes dos MOOCs são Coursera (coursera.org),
Harvard University (HarvardX), MIT (http://www.edX.com) e Udacity
(http://www.udacity.com), que conta com professores da Universidade
de Stanford. O que são Coursera, HarvardX, edX e Udacity? São muito mais do que
simples plataformas de aprendizagem à distância como Moodle. De fato, nos sites da
Coursera e Udacity, podemos ler, por exemplo, que são organizações ou empresas na
área da educação. Em parceria com as melhores universidades do mundo, oferecem
cursos de ensino na modalidade online, de acesso livre para todos.
Também, indicam que a tecnologia utilizada permite ensinar milhões de participantes
e não apenas algumas centenas. Coursera não é como Moodle que é uma plataforma de
ensino-aprendizagem online sob licença livre. Mas, é uma empresa em educação citada
na Forbes (Anders, 2013). Coursera foi fundada
por dois professores da área de informática da Universidade de Stanford e
estabeleceu parcerias com mais de 80 universidades de diferentes países, como a
École Polytechnique de Paris, a Chinese University of Hong Kong e a Universidad
Nacional Autónoma do México.
O Massachusetts Institute of Technology (MIT) também criou a sua própria plataforma,
MITx, que mais tarde após a sua parceria com a Universidade de Harvard tornou-se
edX. Este consórcio tem atualmente 29 universidades parceiras, como por exemplo a
Universidade de Toronto no Canadá e a École Polytechnique Fédérale de Lausanne, na
Suíça, que oferece cursos em francês.
Udacity é outro agente muito ativo na transmissão/propagação dos MOOCs. Foi criado
após uma experiência de ensino do curso online sobre a inteligência artificial pelos
professores Sebastian Thrun e Peter Norvig da Universidade de Stanford chegando aos
160.000 participantes de 190 países.
Uma diferença importante entre Udacity e os outros dois grupos disseminadores de MOOC
(Coursera e edX) é o calendário. Udacity não tem um calendário fixo. Após alguns
cliques e depois de responder a algumas perguntas, é possível para qualquer pessoa
se inscrever num dos cursos oferecidos pela Udacity, sem constrangimento de tempo ou
de espaço. Enquanto que Coursera e edX oferecem formação que por vezes exige sessões
síncronas.
Diante do mapeamento de atores/agentes de referência no processo de expansão da
educação aberta baseada na produção de materiais e cursos de livre acesso hoje
conhecidos como REA e MOOC, torna-se imprescindível analisar os efetivos impactos
diante dos números e das tendências atuais.
IMPACTOS DA EDUCAÇÃO ABERTA: TENDÊNCIAS E NÚMEROS DOS MOOC
Os MOOC podem constituir a integração prática com o movimento REA. Os princípios que
sustentam o trabalho da comunidade internacional envolvida tanto com REA quanto com
MOOC são a flexibilização do acesso ao conhecimento científico, acadêmico e
cultural, a disponibilização dos conteúdos online, o acesso livre,
gratuito e com potencial de abertura para alterações, reconfigurações, reformulações
e continuidade.
O perfil das pessoas envolvidas com MOOC, os fatores de impacto e custos, o número de
participantes e outras variáveis têm sido temas de pesquisas de instituições
internacionais renomadas como a Harvard University, com números que cercam milhões
de pessoas participando de MOOC (Kolowich,
2014; Dean Ho et al.,
2015). Dentre os estudos relacionados à Harvard University destacamos
dois baseados na metodologia survey: a) dados publicados online por
Kolowich (2013) no jornal The
Chronicle of Higher Education redirecionados a partir do portal da
própria universidade disponível em http://harvardx.harvard.edu/links/rethinking-low-completion-rates-moocs-chronicle-higher-education-steve-kolowich;
b) o estudo sobre 68 MOOC realizado por 10 pesquisadores intitulado HarvardX and
MITx: Two Years of Open Online Courses Fall 2012-Summer 2014 (Dean Ho et al., 2015) disponível na íntegra em
http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2586847.
Dentre os principais resultados destacados por Dean
Ho et al. (2015) estão aspectos como: poucos
participantes realmente pretendem certificação sendo a maioria professores; a
participação e os processos de certificação são diferentes conforme as áreas de
conhecimento; os participantes já possuem formação universitária; a maioria está
interessada nos recursos e não na realização de atividades; alguns participam de
vários MOOC ao mesmo tempo.
Segundo os resultados de pesquisa survey publicados por Kolowich (2013), 75% dos conteúdos
disponibilizados em MOOC são REA (figura
1).
Um percentual de 75% dos conteúdos REA em MOOC já em 2013 é animador evidenciando, ao
mesmo tempo, seu potencial e as demandas educacionais contemporâneas. No entanto,
nos dados encontrados por Kolowich (2013) na
pesquisa realizada com 103 professores que atuam em MOOC, problematizamos o
potencial didático-metodológico dos vídeos, já que caracterizam 97% dos conteúdos
dos cursos (figura 1). Nossa hipótese é que a
organização didático-metodológica dos conteúdos e das atividades de aprendizagem e
sistema de avaliação é um dos aspectos de maior peso no sucesso dos MOOC para a
expansão e consolidação da educação aberta. A relação entre o número de
participantes que se inscrevem e aqueles que, de fato, concluem os cursos é muito
baixa (figura 2). Problematizamos se esse
indicador não seria um alerta sobre a necessidade urgente de repensar a didática dos
cursos uma vez que a percentagem de finalistas não alcança nem 10%.
A escala de participantes em MOOC é massiva e a comunicação acontece essencialmente
entre os próprios participantes. Tanto nos modelos conectivistas quanto nos modelos
conteudistas, a interação de professores e/ou tutores/monitores não é considerada a
centralidade do processo. Modelos conectivistas priorizam a interação entre os
participantes do grupo interessados num mesmo tema e/ou problema a resolver. Já os
modelos conteudistas consideram os materiais a estrutura central de um MOOC. São
normalmente planeados por uma instituição ou grupo de professores com abertura
posterior para participação. Eventualmente, participantes podem compartilhar ou
sugerir materiais complementares, mas isso não reconfigura o esqueleto central do
percurso de estudos previamente programado.
Os dados de Kolowich (2013), na figura 2, mostram que 13% dos professores assumem
não responder a nenhuma mensagem de e-mail recebida dos participantes. Do mesmo
modo, os professores que nunca ou raramente participam das discussões em fóruns
online também é alta (figura
3).
Participação docente em discussões online nos
MOOC
Esses números são preocupantes e justificam por que a organização
didático-metodológica advinda do planeamento educacional (também conhecido como
design instrucional) é fator-chave na educação aberta baseada
em MOOC. Independente dos modelos serem conectivistas ou conteudistas, os propósitos
educacionais precisam ficar claros desde o início. Alertando que para as
instituições educacionais de ensino superior que pretendam lançar mão dos MOOC como
uma estratégia para criar demanda formativa e inserção social, o design pedagógico
do conhecimento envolvido é fator-chave para qualidade política e
científico-tecnológica.
Se analisamos os indicadores da figura 2,
percebemos que o número de horas (média de 100h) investidas na preparação dos MOOC é
bastante alta. Caberia continuar o survey implementado por Kolowich (2013) perguntando aos mesmos
professores se o tempo que eles levam para planear, organizar e disponibilizar o
conteúdo e as atividades dos MOOC é o mesmo que investem na preparação dos encontros
em sala na modalidade presencial. Ademais, seria útil saber com mais pormenor se
esse número elevado de horas de trabalho docente é resultante da produção de vídeos,
uma vez que esses disparam como 97% dos recursos utilizados. Ademais, muitos
professores que atualmente trabalham em cursos no formato e-learning,
blended learning ou online como os MOOC podem ter
pouca ou quase nenhuma experiência anterior com a mediação online.
Nos casos de Portugal e do Brasil isso é bastante evidente já que a história
educacional do ensino superior foi consolidada na modalidade presencial. A educação
a distância é bastante recente no Brasil e em Portugal ficou por mais de 30 anos
centrada numa única instituição.
Os percentuais de Kolowich (2013) mostram que
antes de atuar em MOOC, 65,3% dos 103 respondentes não possuem experiência com
ensino online (figura 4).
Experiência docente em cursos online anterior ao
MOOC
Se poucos professores dos MOOCs possuem experiência com cursos online anterior,
infere-se que também tem pouca ou nenhuma experiência com a elaboração de conteúdos
em formatos digitais. Produzir os vídeos retratados na figura 1, por exemplo, com a qualidade desejada não envolve somente os
conteúdos, mas também o cabedal pedagógico, a necessidade de parques tecnológicos
com infraestrutura apropriada e equipes multidisciplinares de apoio.
Aliás, essa é uma característica presente na criação de conteúdos digitais que sequer
é mencionada nos números oriundos da pesquisa de Kolowich (2013). Se incluirmos todos os profissionais das equipes
técnicas e pedagógicas envolvidas na produção dos MOOC, certamente teremos um
aumento considerável no número de horas despendidas para disponibilizar os cursos.
Por hora, nesse requisito da lógica de raciocínio, nem consideramos, para análise
detalhada, as implicações dos ciclos de atualização, a reformulação com
possibilidades de variadas edições.
Se os professores investem tanto tempo produzindo os cursos, encontramos mais um
argumento que contradiz o baixo índice de aproveitamento com sucesso dos
participantes que se inscrevem. A evasão em cursos no ensino superior é um aspecto
presente tanto na modalidade presencial quanto a distância. No entanto, um indicador
que não atinge nem os 10% nos MOOC é preocupante tanto para as instituições quanto
para os profissionais envolvidos.
Há muitos fatores de motivação para investir em pesquisa, reflexão e criação
conceitual em torno das práticas educacionais mediadas por tecnologias, incluindo
nessas os MOOC, especialmente ao movimento recente dos REA. Um desses fatores é que
os professores que desenvolvem experiência com docência online
continuam se sentindo aptos a criar e disponibilizar conteúdos para que mais pessoas
tenham acesso ao conhecimento. Do mesmo modo, indicam (figura 5) que as aprendizagens trouxeram desenvolvimento profissional
que inspira inovação em práticas na modalidade de classes mais tradicionais como a
presencial, por exemplo.
Convergência entre modalidades online e
presencial
Entre as transformações, as modificações e os riscos da educação aberta como é o caso
dos impactos visíveis pelos números e tendências dos MOOC, o trabalho do professor
universitário está repleto de desafios, emergências e urgências formativas. Aqueles
que estão mais atentos aos estudantes e dinamizam mais tempo para acompanhar a
construção do conhecimento tendem a se envolver mais na dinâmica cíclica da
reprogramação pedagógica. Isso faz com que cada um tenha que aprender a gerir este
tempo de forma diferente, dosando a interação entre o presencial e o virtual.
O caminho de ampliação da educação aberta por meio de iniciativas como os REA e MOOC
impelem o professor para o desenvolvimento de novas competências, como, por exemplo,
aprender a ensinar num curso em que a linguagem falada não é a centralidade ou mesmo
gravar conteúdos em vídeos. Em tempos de céleres mediações tecnológicas, a demanda
por aprendizagem ao longo da vida tem sido recorrente. Ao mesmo tempo, a
internacionalização tem deflagrado uma mobilidade e sazonalidade elevada
reconfigurando a cartografia de acesso e permanência nas universidades
presenciais.
Diante disso, tanto a educação a distância quanto educação aberta por meio de MOOC
tem sido uma alternativa para quem pretende realizar cursos com direito à
rentabilização em créditos ou melhores condições de trabalho. Se as instituições
universitárias tem visto nisso tudo uma série de alternativas para ampliar o número
de estudantes, é notório que isso implica reprogramar e avaliar a vida profissional
dos professores e gestores.
Nessa linha de argumentação, o desafio contemporâneo da educação aberta coloca a
necessidade de desenvolver bases de gestão de projetos como reflexão sobre a
didática de e-learning porque em cada aula, seja ela no presencial
ou no virtual, o professor terá de encontrar equilíbrio entre o conhecimento
conceptual, o conhecimento pedagógico e o conhecimento tecnológico (Amador et al., 2016a e 2016b). Além do conhecimento de ferramentas de
colaboração, o professor terá de ter em conta uma certa coerência entre as
diferentes ferramentas tecnológicas e materiais didáticos a integrar; terá de gerir
grupos de trabalho, repensar o lugar dos estudantes na sala de aula virtual e,
devido ao elevado número de estudantes, lidar com a avaliação por pares.
Com base nisso, podemos dizer que os professores que estão disponíveis para ensinar
com tecnologias em rede desenvolvem fluência tecnológico-pedagógica com conceitos,
capacidades e competências que mobilizam inovações em todas as frentes de atuação.
Assim sendo, os desenhos didático-metodológicos dos MOOC, especialmente mediante a
integração de REA, precisam de ser analisados para criação de rotinas e modelizações
mais flexíveis e mais adaptáveis às demandas emergentes.
ANÁLISE DE DOIS MOOC SOBRE REA
Para ampliar os parâmetros de análise crítico-interpretativa a respeito da
congruência necessária entre MOOC e REA segundo os princípios das práticas
educacionais abertas, sistematizamos destaques cujas fontes são baseadas em dois
MOOC cujo tema de estudo era justamente os REA.
O MOOC REL 2014 - Pour une éducation libre foi escolhido como representante da língua
francesa e o MOOC Digital skills for collaborative OER Development (DS4OER) por ser
elaborado e implementado em língua inglesa. Ambos são representativos dentro do
universo de análise porque contam com o suporte e supervisão internacional de
universidades, especialistas em tencologias e organizações como a Unesco. Ademais,
são oferecidos em plataformas distintas de edX e coursera, por exemplo. Assim, a
hipótese inicial era justamente ampliar as possibilidades de encontrar variações
pedagógicas, tecnológicas e no perfil do público participante.
REL 2014 - Pour une éducation libre
A Organisation Internationale de la Francophonie lançou no dia 3 de março de 2014
um MOOC sobre Recursos Educacionais Abertos intitulado Réutiliser, Retravailler,
Recombiner, Redistribuer - 4R des REL pour une Éducation libre disponível no
endereço http://rel2014.mooc.ca/ (figura
6).
Este MOOC com duração de 9 semanas, foi codesenvolvido com a Université de
Moncton (Canadá) e reúne vários especialistas (Stephen Downes) de língua
francesa de ambos os lados do Atlântico com uma progressão pedagógica organizada
em nove temáticas. O MOOC REL 2014 - Pour une éducation libre está construído em
torno de uma plataforma livre com entrada gratuita afim de agregar os recursos
dos intervenientes e participantes (boletim informativo diário, discussões, sala
virtual, blog dos participantes). Todos os recursos disponibilizados estão sob
uma licença Creative Commons.
Com o intuito de desenvolver outras formas de ensino/aprendizagem digitais, pois
a literatura especializada relevante já não era suficiente, procurou-se uma
mais-valia qualitativa em relação ao ensino tradicional/materiais de
aprendizagem. Por isso foi escolhido este MOOC sobre REA, pela aproximação ao
conectivismo, pelo desejo de aprofundar o conceito REA e pelo processo de
concepção, aperfeiçoamento e difusão dos REAs (escolha de ferramentas,
armazenamento, indexação, licenças...). Como refere Barr e Tagg (1995), o movimento conectivista é a
"mudança de ensino para a aprendizagem". Os participantes são, assim,
cada vez mais envolvidos nas decisões substantivas e metodológicas da sua
aprendizagem. São participantes - juízes com alta motivação (princípio de
participação voluntária sem compra de certificado)-, com habilidades de
autoaprendizagem (aprendizagem informal autodirigida), com autocontrole (sem
avaliação) e são possuidores de uma boa literacia mediática, nomeadamente a
utilização de meios de comunicação social.
Assim sendo, o MOOC sobre REA ofereceu a estrutura de conteúdo, forneceu
orientações e links para materiais introdutórios, organizou
eventos de acompanhamento do curso online e construiu a
infraestrutura (tabela 1). Por outro
lado, foi atribuída aos próprios participantes autonomia para definir as suas
próprias metas de aprendizagem, determinar a natureza e a extensão temporal da
sua participação (interatividade) e também quais seriam as ferramentas que
usariam para criar os artefatos que irão constituir o principal inventário
substantivo do curso no final (diversidade). Estes artefatos deveriam ser novos
Recursos Educacionais Abertos (abertura). Existe, portanto, uma abordagem
pedagógica que incentiva a autonomia, a aprendizagem e o trabalho
colaborativo.
Este MOOC, desde o início tentou encontrar um equilíbrio entre a abertura e a
estrutura, ou seja, entradas entre o organizador e as contribuições dos
participantes. O curso de 9 semanas começa com uma semana introdutória e um
evento de abertura online. Esta é seguida por oito blocos
temáticos semanais, cuja organização é quase sempre a mesma: introdução -
objetivos - atividades. A abertura dos temas começa pelas contribuições dos
organizadores ou dos convidados. Para cada primeira segunda-feira de cada bloco
temático há uma introdução oral e escrita (transcrição da apresentação em
formato PDF) ao tema no youtube (figura 7 e
figura 8).
Regularmente pedem aos participantes que façam uma abordagem ao tema segundo a
nossa perspectiva e as nossas necessidades (professor que procura aumentar a
qualidade do seu ensino; criador de REAs, etc). Em alguns temas podemos
participar numa sessão síncrona com um ou mais especialistas
Qualquer participante num MOOC é confrontado com muitos desafios que devemos
clarificar antes do início. Por exemplo: Quem pode contribuir com o que? Quanto
(tempo) os recursos estarão disponíveis? Em que (quais) função(s) agimos como
promotores? Quantos conteúdos podemos oferecemos e sob que forma (por exemplo,
sob que licença) disponível?
Digital skills for collaborative OER Development
(DS4OER)
O MOOC Digital skills for collaborative OER Development (DS4OER) está disponível
no endereço eletrônico: http://ds4oer.oeru.org/ e
possui três passos: 1. Registro para recebimento das credenciais e avisos via
e-mail; 2. Orientação para exploração do ambiente do curso, compreensão do
funcionamento, conteúdos, criação de blog e acesso ao sumário do curso; 3.
Estudo com sugestão de início pelo resumo dos conteúdos.
Conforme a figura 9, podemos ver que a
página inicial possui, também, um menu de navegação com os botões Startup;
Course Guide; Interactions; Learning Pathways com sublinks de acesso a todas as
orientações e conteúdos. Já na página inicial, o participante se depara com
vários caminhos para aceder ao material completo do curso. Por um lado isso é um
fator importante, por outro lado, pode confundir o interessado já que, como
primeira impressão parecem ser informações diferentes. A demasiada repetição de
informações no mesmo site não é uma característica compatível com as orientações
ergonómicas de navegação. As condições de leitura e estudo nem sempre ficam
otimizadas para o interessado no curso. Esse já parece ser um dos primeiros
indicadores de dificuldade na frequência e conclusão dos cursos.
Página inicial do MOOC DS4OER
Fonte: http://ds4oer.oeru.org/
Este MOOC é organizado em 9 sessões divididas ao longo de 3 semanas com um tempo
estimado de 30h para conclusão do curso completo, o que representa 2h diárias de
estudo. Oferece a possibilidade de obtenção de créditos para os que desejarem,
sendo assim necessário o acréscimo de mais 10h para completar as tarefas de
avaliação.
Os objetivos do curso circundam o desenvolvimento da habilidade de colaboração, a
partilha em rede, a utilização de sites ou páginas de internet e a criação de
comunidades online para socialização de ideias e práticas com a educação aberta
(figura 10).
Além disso, apresentam uma lista de 11 resultados de aprendizagem (figura 11). Os materiais, recursos,
hiperlinks, atividades e orientações são organizados por um
facilitador que é Chair in OER pela Unesco/COL/ICDE e conta com o apoio e
orientação da New Zealand National Commission for Unesco. Todas as orientações
estão separadas por sessões (figura 12),
conforme a organização apresentada pelo facilitador Wayne Mackintosh.
resultados de aprendizagem esperados no MOOC DS4OER
Conforme as instruções disponíveis na Figura
12, percebemos que a sessão 1 foi programada para ser realizada em
dois dias (13 e 14 de abril de 2015). Do ponto de vista didático-metodológico, a
organização das informações apresenta regularidade e sistematização. As
informações estão bem distribuídas na página, a utilização de cores e botões de
navegação também auxilia. No entanto, a quantidade de atividades previstas para
serem realizadas num curto espaço de tempo (dois dias na sessão 1) é sempre um
fator de limitação. Está estabelecido que o participante do MOOC adquira
competências práticas através de uma gestão do conhecimento pessoal, que seja
ator ativo do seu próprio processo de aprendizagem e progrida ao seu próprio
ritmo. Essa autonomia deve ser um pré-requisito ou uma meta?
Se considerarmos e analisamos: a) que a maioria dos participantes que se inscreve
em MOOC são trabalhadores e profissionais interessados em ampliar conhecimento
sobre determinados temas; e b) os resultados de aprendizagem (figura 11), logo compreendemos que os
desafios previstos no curso são profundos e exigem dos participantes alto grau
de envolvimento e trabalho tanto tecnológico quanto pedagógico. Nem todos
possuem fluência tecnológica imediata para manusear com rapidez as ferramentas
nas redes sociais como plataformas wiki e blogs, por exemplo. Do mesmo modo, a
capacidade de desenhar e desenvolver cursos online mediados por
REA implica não somente fatores de administração de espaços online mas também
requer um conhecimento pedagógico com critérios para pesquisar, selecionar e
adaptar conteúdos ao contexto e público. Assim, estaremos contribuindo para que
as esperanças de democratização da educação não diminuam perante taxas muito
elevadas de abandono, baixo impacto na aprendizagem e ainda de um público dos
MOOC na sua maioria já graduado.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os impactos de um curso MOOC são numerosos e as suas consequências afetam tanto os
participantes como os professores e o sistema educativo, inclusive as políticas de
financiamento da educação. A preocupação diante dos números e tendências dos MOOC
como principais propulsores da educação aberta, alertam para que o professor (ou o
organizador) que cria uma estrutura coesa de materiais educativos também desenvolva
caminhos claros aos participantes. Inovar pedagogicamente é muito mais do que
transpor cursos presenciais ou um conjunto de recursos digitais para uma plataforma
de livre acesso. Conjuntos de REA em repositórios não podem ser considerados
MOOC.
Assim podemos potencializar a educação em sistemas online nos quais
um especialista (o professor) atua educacionalmente com base num currículo/programa.
Os objetivos de aprendizagem através de conhecimentos específicos e a transmissão
puramente vertical da palavra do "mestre" ao aprendente já não são vias de
mão única. Em modelos didáticos de transmissão de conteúdos, o conhecimento é
secundário porque o importante é que os participantes adquiram competências que lhe
permitam novas oportunidades profissionais.
No slogan de Coursera "Advance your knowledge and career" podemos
problematizar as concepções e efeitos sociais, culturais e econômicos. Seriam a
exigência de rigor académico e os objetivos de democratização do conhecimento algo
igualmente secundários?
Na experiência discente-docente em dois MOOC, atrelada aos dados dos estudos survey
analisados sobre experiências com educação mediada por tecnologias, destacamos uma
certa amnésia sobre a educação online: falta de explicitação das concepções
pedagógicas no cenário educacional, tarefas pouco adequadas ao conteúdo, falta de
feedback de professor/tutor/ monitor, ausência de
feedback individualizado, interação entre pares baseada
unicamente na resolução de tarefas específicas, competitividade alicerçada em
pontuações semelhantes aos cenários de gamificação. As interações com os professores
são quase inexistentes, sendo igualmente preocupante que a maioria dos participantes
esteja apenas interessado nos recursos e não na realização de atividades.
Como os materiais didáticos se concentram em grande parte nos vídeos, os roteiros
podem ser contextualizados mais como palestras (speech) sobre
determinados conteúdos. O registro de conteúdo gravado nesses vídeos tem priorizado
universidades ou professores-pesquisadores renomados e com reconhecimento
internacional. Isso garante acréscimo de valor ou validação para as iniciativas em
curso? Será esse um contraponto ao potencial colaborativo da produção
online compartilhada de modo aberto em plataformas como a
Wikipedia?
É necessária uma reflexão sobre as estratégias didáticas e a composição congruente de
políticas de formação universitária. Disponibilizar conteúdos educativos
online e ter somente como incentivo o número de inscrições
iniciais, parece não se constituir na inovação pedagógica desejada. Tampouco um
vasto leque de ferramentas em plataformas tecnológicas sofisticadas será a única
chave-mestra do desenvolvimento intelectual desejado tanto para o mundo do trabalho
quanto para a vida pessoal e sóciocultural. De outro modo, REA e MOOC logo não serão
um caminho aberto para o ensino superior digital, mas mais um mecanismo para
colecionar certificados e aligeiramento da formação do aprender a fazer por
competências.
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Apertura vol. 18, núm. 1, abril - septiembre de 2026, es una revista científica especializada en innovación educativa en ambientes virtuales que se publica de manera semestral por la Universidad de Guadalajara, a través de la Coordinación de Recursos Informativos del Sistema de Universidad Virtual. Oficinas en Av. La Paz 2453, colonia Arcos Sur, CP 44140, Guadalajara, Jalisco, México. Tel.: 3268-8888, ext. 18775, www.udgvirtual.udg.mx/apertura, apertura@udgvirtual.udg.mx. Editor responsable: Dr. Rafael Morales Gamboa. Número de la Reserva de Derechos al Uso Exclusivo del Título de la versión electrónica: 04-2009-080712102200-203, e-ISSN: 2007-1094; número de la Reserva de Derechos al Uso Exclusivo del Título de la versión impresa: 04-2009-121512273300-102, ISSN: 1665-6180, otorgados por el Instituto Nacional del Derecho de Autor. Número de Licitud de Título: 13449 y número de Licitud de contenido: 11022 de la versión impresa, ambos otorgados por la Comisión Calificadora de Publicaciones y Revistas Ilustradas de la Secretaría de Gobernación. Responsable de la última actualización de este número: Sergio Alberto Mendoza Hernández. Fecha de última actualización: 27 de marzo de 2026.